Durante uma cirurgia cerebral, o cirurgião enxerga o tumor — mas não enxerga a função. A via que controla o movimento da mão tem o mesmo aspecto do tecido ao redor. A neuromonitorização intraoperatória resolve esse problema: eletrodos registram os sinais elétricos do sistema nervoso durante toda a cirurgia e avisam a equipe, em segundos, se alguma função entra em risco.
Durante uma cirurgia cerebral, o cirurgião enxerga o tumor — mas não enxerga a função. A via nervosa que controla o movimento da mão tem, a olho nu, o mesmo aspecto do tecido ao redor. É por isso que as cirurgias de tumores próximos a áreas importantes do cérebro contam hoje com uma segunda camada de proteção: a neuromonitorização intraoperatória, o acompanhamento contínuo dos sinais elétricos do sistema nervoso durante toda a operação.
O que a neuromonitorização faz, na prática
O princípio é simples: o sistema nervoso funciona com eletricidade, e eletricidade pode ser medida. Antes de a cirurgia começar, a equipe posiciona eletrodos no couro cabeludo e nos músculos do paciente. Esses eletrodos registram como os sinais elétricos percorrem as vias de movimento, de sensibilidade e os nervos cranianos — do cérebro até o músculo, e da pele de volta ao cérebro.
- Potenciais evocados motores (PEM): pequenos estímulos na área motora do cérebro geram resposta nos músculos dos braços e pernas. Se a resposta enfraquece, a via motora pode estar em risco.
- Potenciais evocados somatossensitivos (PESS): estímulos no punho ou tornozelo percorrem o caminho da sensibilidade até o córtex. Testam a via sensitiva de forma contínua.
- Eletromiografia de nervos cranianos: eletrodos nos músculos da face, da língua e da garganta detectam qualquer irritação dos nervos que passam perto do tumor — fundamental em cirurgias de base do crânio.
Tudo isso funciona com o paciente sob anestesia geral. A equipe de anestesiologia usa um protocolo específico que mantém o paciente dormindo sem apagar os sinais elétricos que precisam ser medidos.
Por que isso muda a segurança da cirurgia
Sem monitorização, uma lesão de via funcional só é descoberta quando o paciente acorda — tarde demais para reagir. Com monitorização, a queda de um sinal aparece em segundos, enquanto a alteração ainda é reversível. A equipe pode então pausar a ressecção naquela região, irrigar o campo, ajustar a pressão arterial ou mudar a estratégia de abordagem. O alarme chega antes da sequela.
Há também um segundo efeito, menos óbvio e igualmente importante: a monitorização permite remover mais tumor. Quando o cirurgião sabe, com dado objetivo, que as vias continuam íntegras, pode avançar em regiões que sem essa informação deixaria intocadas por precaução. Uma meta-análise com mais de 8.000 pacientes operados de glioma mostrou que cirurgias com mapeamento e monitorização funcional alcançaram ressecções mais completas com menos déficits neurológicos graves no longo prazo.
Quem faz a neuromonitorização durante a cirurgia
Interpretar potenciais evocados em tempo real, diferenciar uma queda de sinal verdadeira de uma interferência técnica e decidir quando soar o alarme é trabalho para um profissional dedicado só a isso — não é tarefa que o cirurgião possa acumular enquanto opera. Na equipe do Dr. Erion, em Porto Alegre, a neuromonitorização é conduzida pela Dra. Ana Hoppe, neurologista especialista em neuromonitorização, em comunicação constante com o cirurgião e a anestesiologia durante toda a operação.
Essa divisão de papéis é o padrão dos grandes centros internacionais: cada função da sala tem um responsável, e o cirurgião recebe a informação neurofisiológica já interpretada, no momento em que precisa dela para decidir o próximo passo.
Quando a neuromonitorização é indicada
- Tumores cerebrais (gliomas, metástases, meningiomas) próximos às áreas de movimento, fala ou visão
- Cirurgias de base do crânio, em que os nervos da face, da audição e da deglutição atravessam o campo cirúrgico
- Cirurgia com paciente acordado — a monitorização complementa os testes de fala e movimento
- Cirurgias de coluna com risco para a medula espinhal
Nem toda cirurgia cerebral precisa de monitorização: tumores distantes de áreas funcionais podem ser operados com segurança sem ela. A indicação é definida no planejamento, com base na ressonância magnética — incluindo, quando necessário, tractografia e ressonância funcional, que mostram a relação do tumor com as vias importantes antes de o paciente entrar na sala.
Se você tem um tumor perto de uma área importante do cérebro e quer saber se a cirurgia com neuromonitorização é indicada para o seu caso, envie seus exames para avaliação. Agende sua consulta com o Dr. Erion em Porto Alegre.
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