Tumores Cerebrais

    Craniofaringioma em Adultos: Visão, Hormônios e Decisão de Tratamento

    10 de junho de 20267 min de leituraPor Dr. Erion Jr de Andrade

    Craniofaringioma costuma ser descrito como tumor benigno, mas essa palavra pode enganar. A complexidade está na localização: perto da hipófise, do quiasma óptico e do hipotálamo. Neste artigo, o Dr. Erion explica por que a decisão não é apenas remover ou não remover, e sim controlar a doença preservando visão, hormônios e função hipotalâmica.

    Craniofaringioma é um tumor raro que nasce na região selar e suprasselar, perto da hipófise, do quiasma óptico e do hipotálamo. Ele geralmente não se comporta como câncer infiltrativo, mas pode causar sintomas importantes por compressão e pela relação com estruturas que controlam visão, sede, apetite, metabolismo e hormônios.

    Quais sintomas chamam atenção?

    • Perda de campo visual ou visão embaçada.
    • Dor de cabeça progressiva, náuseas ou sinais de hidrocefalia.
    • Sede excessiva e urina em grande volume.
    • Fadiga, alterações hormonais ou ganho de peso importante.
    • Recorrência de cisto ou crescimento em ressonâncias seriadas.

    Por que a decisão é delicada?

    Em outros tumores, a pergunta costuma ser quanto é possível remover com segurança. No craniofaringioma, existe uma pergunta adicional: qual é o custo funcional de tentar remover tudo? Quando há aderência ao hipotálamo, uma cirurgia agressiva pode trazer sequelas que afetam sede, peso, sono, temperatura e autonomia.

    O melhor plano nem sempre é o mais radical. Em casos selecionados, cirurgia subtotal planejada, tratamento do cisto, radioterapia e acompanhamento podem ser combinados para controlar o tumor preservando função.

    O que levar para segunda opinião?

    • Ressonância com contraste e imagens em DICOM, se possível.
    • Campimetria visual e avaliação oftalmológica.
    • Dosagens hormonais e avaliação endocrinológica.
    • Exames antigos para comparar crescimento.
    • Relatório da proposta de cirurgia, radioterapia ou acompanhamento.

    A consulta deve transformar o laudo em uma sequência prática: há risco visual? Existe urgência? A via endonasal é adequada? Uma craniotomia seria mais segura? Vale remover tudo ou preservar hipotálamo e complementar depois? Essas perguntas mudam a estratégia.

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